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quinta-feira, 11 de julho de 2013

ESTUDOS PRÉ-SAUSSURIANOS

Antes do século XIX, quando a lingüística ainda não havia adquirido caráter científico, os estudos nessa área eram dominados por considerações empíricas sobre a própria condição da linguagem, que proliferaram em vários glossários e gramáticas cujo objetivo era explicar e conservar as formas lingüísticas conhecidas.
No século V, antes da era cristã, surgiu na Índia a primeira gramática destinada a preservar as antigas escrituras sagradas. Na Grécia antiga, as questões propostas em torno da
naturalidade e arbitrariedade da linguagem, ou seja, o que existe nela "por natureza" ou "por convenção" deram origem a duas escolas opostas: os analogistas sustentavam a regularidade básica da linguagem, devida à convenção, e os anomalistas consideravam que a linguagem era irregular, por refletir a própria irregularidade da natureza. As pesquisas sobre essas questões, que os gramáticos romanos se encarregariam, mais tarde, de continuar e transmitir, impulsionaram o progresso da gramática no Ocidente.
O primeiro texto de lingüística de que dispomos é o da gramática sânscrita de Panini (século IV a.C). O tratado de Panini tem por objeto essencial os procedimentos de derivação e de composição morfológica descritos com auxílio de regras ordenadas.
Segundo Lopes (1997), a descoberta, no final do século XVIII, das afinidades "genealógicas" entre o sânscrito, o grego e o latim, atribuída comumente ao orientalista inglês Sir William Jones, deu lugar a um exaustivo estudo comparado dessas e de outras línguas. Tais pesquisas apresentaram os primeiros resultados positivos quando, em 1816, o lingüista alemão Franz Bopp publicou sua obra (Sobre o sistema das conjugações em sânscrito...). Por meio da comparação metódica das conjugações do sânscrito, persa, grego, latim e alemão, Bopp concluiu que as afinidades fonéticas e morfológicas demonstravam a existência de um tronco hipotético ou língua comum anterior, o indo-europeu.
Foram assim estabelecidos os alicerces da gramática comparada, que não tardaria a adquirir caráter científico graças ao trabalho de dois lingüistas: Rasmus Rask, na Dinamarca, e Jacob Grimm, na Alemanha. Ao primeiro se deve a elaboração de uma gramática geral e comparativa das línguas do mundo e o estabelecimento de uma série de correspondências fonéticas entre as palavras de significado igual ou semelhante. Grimm acrescentou a esses estudos uma perspectiva histórica, ao pesquisar as numerosas correspondências fonéticas entre as consoantes do latim, do grego, do sânscrito e do ramo germânico do indo-europeu. O resultado de sua pesquisa, conhecido como "lei de Grimm" ou "primeira mutação consonântica do germânico", representou um progresso notável nos estudos lingüísticos (LOPES, 1997).
Assim, os estudos teóricos acerca da lingüística, enquanto ciência, comprovam que, antes do advento saussuriano (estruturalismo), o apogeu que vigorava referia-se à lingüística histórica ou gramática comparada.


Referencia : Artigo escrito por Francisco Borges da Silva